Entre caminhadas e conversas, as situações cotidianas que observo há um bom tempo me levaram a traçar um quadro ecônomico-político-social caótico para a cidade, sem que se consiga distinguir qual dos três aspectos é o mais deteriorado, principalmente por estarem totalmente entrelaçados. Dos tempos econômicos prósperos não nos restou nenhuma liderança. Todas as famílias, grupos e pessoas detentoras do poder econômico da cidade hoje não tem nenhuma representatividade popular e social preparada para determinada função pela posição que ocupam, demostrando isso através da inércia e das fúteis e mesquinhas disputas de força e poder, importantes apenas para o ego pessoal e totalmente desnecessárias para o bem comum da sociedade. Numa democracia num sistema capitalista, com as diferenças entre as pessoas na pirâmide social, os que ocupam o seu topo tem sim uma responsabilidade social para com todos os demais que ocupam os degraus abaixo, responsabilidade essa que vai além de uma boa administração do patrimônio pessoal, amuletando-se no álibi da geração de empregos. Essas pessoas têm sua responsabilidade como líderes, espelhos pra todos através de seus atos, suas ações e sua posição como formadores de opinião através do controle da máquina social pela posição que ocupam. No aspecto político, como em todo o resto do país, a sujeira da corrupção vem já há muitos e muitos anos afastando cada vez mais as pessoas sérias do meio, que seriam na teoria as primeiras que deveriam ocupar as respectivas posições. No nosso caso, especificamente uma cidade com menos de 60.000 habitantes, praticamente todos os que ocuparam, ocupam ou possam vir a ocupar cargos públicos não tem como esconder tanto os defeitos quanto as virtudes, tendo a vida como um livro aberto, mesmo não querendo. O grande problema é que apesar de conhecermos de cor e salteado cada um desses livros, falta-nos coragem para passarmos além dos cochichos em mesas de bar e rodas de esquina. Nossa apatia causada pela acomodação faz-nos mais culpados do que vítimas no final da história. Não que não haja pessoas honestas e de caráter envolvidas no meio político. Existem sim, mas são poucas perto do que seria o esperado. É preciso mudar a crença de que para se vencer uma eleição é necessário a aliança com velhos “políticos de profissão” enraizados há tempos na ideologia do benefício próprio. Precisamos de políticos sim, mas que acima de políticos sejam Homens sérios, de caráter, empreendedores, para lutar contra o sistema oligárquico de benefício próprio implantado há muitos anos. Por fim temos o problema da sociedade geral, da base até o topo da pirâmide, com um emburrecimento e uma inversão de valores muito grandes, diante do panorama descrito acima. Como já dito, a falta de líderes, de “heróis”, causou por um longo período uma exposição de valores deturpados como sinônimos para se consagrar um vencedor. Com isso, a inteligência deu lugar à “esperteza de malandro” como status de virtude. Houve um distanciamento ainda maior na valorização do TER sobre o SER, fazendo com que os poucos aspirantes a herói não consigam uma única palma de apoio. Mudanças hão de acontecer. Muitos de nós ficaremos aqui por um bom tempo, e até possivelmente germinaremos nossas sementes por aqui. Por mais que haja distanciamentos sociais, todos estamos ligados fazendo parte da mesma célula. Todos temos responsabilidade pela situação do meio em que vivemos. A cidade está adormecida, descrente de si, sem sonhos e sem heróis. Cabe a cada um de nós mudar isso ...
Toda sociedade precisa de exemplos ... Toda sociedade precisa de vencedores ... Toda sociedade precisa de heróis...
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